Liderar: O que eu gostaria de ter lido e agora estou escrevendo

Sempre quando escrevo, gosto de colocar em pauta algum tema que eu gostaria de ter lido há algum tempo atrás, ou soube alguma coisa que eu queria que um professor na graduação tivesse me dito. Quero que quem for ler esse texto, tenha um caminho mais rápido no seu desenvolvimento humano do que eu estou tendo. Falar sobre ascensão de carreira é quase que um sinônimo de falar em liderança hoje em dia, mas se engana quem pensa que o líder é aquele cara que necessariamente precisa ter uma equipe para gerenciar.

No início na faculdade eu pensava que grande parte do meu sucesso profissional viria da minha formação acadêmica. Não sei como, mas em algum momento, os astros do universo se alinharam (na verdade foi porque comecei a trabalhar numa empresa júnior) e percebi que de longe não era a graduação de engenharia que me destacaria no mercado e sim essa parte mais humana do trabalho.

Vou me atrever a falar um pouco do que tenho notado nesses poucos (mas intensos) anos de trabalho que tenho. De alguma maneira quero dar pequenas dicas aos que estão entrando no mundo dos negócios e que também esse texto sirva pra mim mesmo no futuro, como uma reflexão sobre a minha postura profissional. Líder, sob o meu ponto de vista, é aquele que consegue influenciar pessoas independente do seu cargo dentro da empresa. Ou melhor ainda, líder é aquele que consegue desenvolver um ambiente onde outras pessoas se tornem líderes. Mais umas vez: Liderança não é cargo, não é andar de terno e muito menos status. Liderança é postura.

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Na verdade, essas dicas também podem servir como um “código de conduta” para empreendedores. No dia em que eu tiver a minha empresa, vou colocar essas 6 dicas no quadro dos “valores”. Ok, vamos lá:

1- Gerar aprendizado baseado na descoberta: Abertura e curiosidade para novas ideias e pontos de vista;

Não condene ninguém por não saber sobre algum tema, conduza ele para que aprenda e possa contribuir com a decisão. Seja aberto e curioso o suficiente para estudar, buscar conhecimento e ouvir outras pessoas. Nunca pare de estudar, mas principalmente busque pessoas mais experientes para serem seus “mentores” ou simplesmente pra trocar uma ideia.

Graduação tem valor, MBA tem valor (bem caro inclusive hahaha), curso na Udemy tem valor mas 15 minutos de conversa com qualquer profissional mais sênior valem mais do que todos os cursos juntos.

2- Disposição para assumir riscos calculados para aprender: A capacidade de estruturar experimentos de aprendizagem que, por sua vez, produzem novas ideias;

Seguindo a linha do “ninguém nasce sabendo” é importantíssimo se dar ao luxo de errar em nome do aprendizado. Isso é uma espécie de growth hacking , precisamos testar muita coisa e entender qual é o melhor caminho. De maneira bem prática, se você tem um orçamento de R$ 100.000,00 reais para validar um projeto da sua empresa na Cidade A transforme esse orçamento em cinco orçamentos de R$ 20.000,00 e valide o mesmo projeto na cidade A, B, C, D e E.

Dessa maneira você terá o mesmo projeto validado (ou não) em cinco cidades diferentes, provavelmente em alguma delas o erro acontecerá e também provavelmente você saberá o motivo do insucesso. Claro, todos esses testes devem ser feitos com responsabilidade. Correr riscos calculados é diferente de ser irresponsável e ser irresponsável está a um passo de ser desempregado.

3- Incentivar a dissidência, o desafio e a tensão sustentada durante o período de novas ideias: Buscar uma variada entrada de fontes dentro da organização;

Não se assuste com uma equipe que discute. Se eu ouvir a opinião de doze pessoas e todas tiverem o mesmo ponto de vista, quer dizer que eu não preciso de doze pessoas, preciso só de uma. Uma equipe não precisa ter uma opinião homogênea, se a divergência acontecer quer dizer que estamos no caminho certo porque isso mostra que várias pessoas embasam seu pensamento de maneira diferente, logo temos uma equipe multidisciplinar e complementar.

Fomentar a discussão e principalmente deixar claro a contribuição de todos nas entregas dos projetos e como as pessoas se complementam é vital nesse processo.

4- Desafiar a vaidade e a necessidade de micro poderes: Busque sempre o interesse em melhorar as coisas;

Talvez por sermos uma geração criada dentro das redes sociais, temos muitas vaidades desde a nossa adolescência. Toda e qualquer rede social é baseada em ego e vaidade, mas sinto lhes dizer que em algum momento o ego e a vaidade vão te atrapalhar na vida profissional. Se não forem os teus, serão os dos outros.

Falei da nossa geração, mas isso não tem idade. Conheço pessoas de 22 anos que não deixam isso atrapalhar o trabalho como eu também conheço pessoas de 50 anos que são puramente movidas por vaidades e necessidade de micro poderes dentro de algumas empresas. Só não podemos esquecer que todas essas pessoas trabalham para uma organização e essa organização é um CNPJ que tem um propósito e não liga para o ego e para a vaidade de ninguém, por isso devemos sempre buscar melhorar o cenário deixando nossas vaidades alheias a isso. Sério, isso é bem importante.

5- O mundo precisa de decisões rápidas, o seu negócio também;

Não procrastine. Não espere. Se errar, aprenda rápido. Se tiver um problema, resolva ele e não fique empurrando pra depois, isso pode te custar caro. A velocidade com que nos desenvolvemos enquanto profissionais está diretamente ligada a velocidade com que tomamos decisões. Quando estamos falando sobre tomada de decisão em empresas que são horizontais, na maioria dos casos podemos ter um pequeno “caos” pois de alguma maneira ou de outra, duas opiniões vão se confrontar em alguma momento. Existem várias metodologias interessantes sobre tomada de decisão mas a minha preferida é a RAPID onde definimos quem é quem no processo de decisão e tudo fica mais claro.

6- Respire fundo e tenha inteligência emocional.

Essa parte foi muito difícil pra mim. Manter o equilíbrio emocional em situações de atrito ou de alta divergência no espaço de trabalho é uma missão muito difícil pra quem ainda tem pouca experiência. Não aumente o tom de voz sem necessidade, não dê indiretas e não saia da sala no meio da reunião por estar discordando de alguma decisão.

Seja direto, transparente, empático, ponderado e diga o que tem que ser dito. Tenha confiança e se posicione, caso você esteja certo tenho certeza que a equipe perceberá e se estiver errado tenha humildade para reconhecer.

Esse livro sobre Inteligência emocional do Daniel Goleman me ajudou a entender algumas coisa sobre relacionamentos humanos e a ajustar meus comportamentos para que eu pudesse me relacionar melhor com as pessoas, principalmente aquelas que não são muito agradáveis.

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