As vezes me pego pensando num mundo ideal

Se hoje eu colocasse minha cabeça no travesseiro e fosse dormir e amanhã acordasse num mundo ideal, onde tudo é possível, onde todos meus sonhos tivessem sido realizados, me pergunto como seria. Vou tentar figurar.

Começarei com o que realmente importa e de maneira alguma poderia começar diferente, propósito. Em um mundo ideal, eu não só gostaria como deveria estar atrelado ao meu propósito, a minha missão. Minha realização maior seria viver uma vida feliz e, na minha cabeça, só se vive feliz quando se vive realizado. Realizado com sua vida espiritual, social, pessoal e profissional. Mesmo que alcançar o ideal pareça ser o fim, mas para mim é o meio. Acredito que eu jamais deixaria minha roda parar, se a minha roda para, o movimento para, movimento é vida e estagnação é morte, e o único responsável por manter minha roda girando sou eu.

O que eu quero dizer com isso? Que meu mundo ideal não é onde eu irei chegar, ou onde minha roda chegará. Meu mundo ideal é a melhor forma de fazer minha roda girar, no meu melhor caminho, no meu maior potencial.

Que nem diz Estripador (1982), vamos por partes. Perdoe-me pela piada (horrível). Espiritualmente falando, em um mundo ideal, eu estaria de bem comigo mesmo, em paz com meu eu interior. Feliz e realizado. Eu frequentaria meu movimento de cursilho, lugar onde eu me encho de vontade de viver, de ajudar e de fazer o bem, lugar onde me revigoro. Seria presente no movimento na medida do possível, participando quando eu quisesse e fazendo o bem a minha maneira, do jeito que eu sou bom em fazer.

Gostaria de encontrar meus amigos frequentemente, tomar um chimarrão antes de comer um bom churrasco com minhas facas que ganhei há alguns anos atrás na formatura, meus xodós, tomar a minha cerveja gelada e olhar o jogo do Grêmio que foi tricampeão da Libertadores em 2017 e hexacampeão da Copa do Brasil em 2018, sim, não quero nada quase. Se o churrasco for eu que estiver assando, sem dúvida gostaria de ser um assador melhor do que eu era antigamente, até porque viver um dia, sem ter melhorado, é um dia vivido em vão. Vou querer saber cozinhar, mas não cozinhar só para se alimentar, vou querer cozinhar bem. Quero inventar comidas na hora e fazer algo muito bom, com pouco recurso, que nem a mãe, por que não puxei isso dela?

Quero ter filhos, dois, dois filhos. A filha era pra ser a Valentina, mas Valentina ficou tão comum quanto colocar o nome do cachorro de Rex. Talvez até lá eu repense. Quanto a mãe deles, a Letícia me soa como uma ótima candidata, não seria eu se não falasse que, num mundo ideal, eu estaria com ela. Mas vou aproveitar que estou ditando as regras do meu mundo ideal para abusar do meu poder: quero que a Letícia se encontre, esteja feliz com sua profissão e atrelada ao seu propósito, que até lá ela já vai ter descoberto. Quero que ela se desvencilhe das rédeas da criação e crie seus próprios sonhos, e alcance-os. Nossos filhos teriam orgulho dela.

Alguma dúvida que no mundo real eu conviveria com meus pais ainda? E muito? Não né? Eu sou fã dessas pessoas. Eles são meus dois maiores exemplos de seres humanos, juntamente com o que eles também geraram, meu irmão. Eu sempre que pudesse, viveria perto deles, me faz um bem danado essa convivência. Se eu pudesse me desenvolver profissionalmente, alcançar meus objetivos e viver realizado perto deles, assim seria. E como sou eu que dito as regras, assim que será.

Bom, no meu mundo ideal, eu estaria trabalhando com gente genial, com gente que pensa diferente, que pensa pra frente, com valores bem definidos e caráter. Sem sequer pestanejar, eu abriria mão de grandes salários para trabalhar do lado de gente grande. Nada paga essa realização. Ninguém alcança nada sozinho. Resumindo, eu teria uma empresa que trabalharia por projetos, que tivesse uma missão muito bem definida e um propósito de existir. Nessa empresa todo mundo seria feliz em trabalhar lá, mesmo que não fossem trabalhar lá o resto da vida, no momento em que estivessem lá, estariam felizes. Nessa empresa eu trabalharia com meu irmão, eu não sei se no mundo real isso seria possível, mas como sou eu que estou montando, assim será. Na minha empresa, teria um cara genial no marketing, sim, eu quero muito trabalhar e conhecer esse cara que ainda não conheço.

Nesse mundo eu daria aulas, palestras, viajaria para dar treinamentos e cursos. Conheceria muita gente bacana e muitos lugares entusiasmante. Eu leria o tanto que hoje leio. Teria uma biblioteca na minha casa impecável, com livros filosóficos também, eu quero aprender a ler esses livros. Falando em livro, um dia eu quero escrever um, não sei sobre o que, mas quero escrever um. Pode até ser um romance, talvez me pareça mais adequado do que “10 passos para o sucesso”. Gostaria que as pessoas me vissem como um caminho para crescer, gostaria que elas me procurassem pra pedir um conselho, uma ajuda, um norte, uma referência. Gostaria que elas gostassem de conversar comigo, até porque, se tudo ocorrer como planejado, eu vou falar no futuro tanto quanto eu falo hoje, e isso não é pouco. Dessa forma, no mundo ideal, eu vou falar coisas que prestem, que valem a pena serem ouvidas.

E se o texto acabasse aqui, eu estaria gordo e com saúde pedindo socorro, porque até então comi churrasco, bebi cerveja, fiquei sentado trabalhando, viajando e lendo. Porém! Como eu não sou nenhum sedentário, eu não estaria gordo porque jogaria padel, muito padel, duas vezes por semana. E, de novo, como sou eu que mando aqui, pelo menos hoje, eu jogaria padel muito bem, na primeira categoria, com gente grande. Ganharia torneios as vezes e colocaria tudo no meu armário, porque sou desses. Falando de saúde, eu beberia água tanto quanto bebo hoje.

Também viajaria bastante e não só a trabalho, a passeio também, nem só de labuta vive o homem, gostaria de conhecer tanto lugar que não sei se consigo descrever aqui. Viajar é tão bom quanto voltar. Precisamos de um laço, de uma história, de um ninho. Meus netos com certeza saberiam a história da nossa família, saberiam onde nascemos, onde nos criamos e o que fizemos quando criança. Eles mexerão no celular, inevitavelmente, mas também jogariam bola de pé no chão, brincariam no parque e quebrariam coisas. Eles seriam gremistas, todos! Se eu tiver 5 filhos, vou ter um time completo de futsal do Grêmio (não importa se forem mulheres, vão jogar igual).

Como estamos montando meu mundo, vamos falar de algumas partes materiais, não são as mais importantes, mas fazem parte. Gostaria de ter um apartamento bacana, não muito grande a ponto de nos sentirmos solitários dentro, mas bem montado, com a nossa cara. Deve ter um local para tomar chimarrão a tardinha e ler. Precisa ter churrasqueira e uma cozinha legal. Vou precisar ter um carro, ou, se tudo ocorrer conforme Uri Levine prega, daqui uns anos não existirão mais motoristas, somente carros autônomos, então talvez eu não teria um carro. Mas ok, tanto faz, o carro não precisaria ser muito caro, nem muito grande, podendo ser bonito e bacana, já é o suficiente.

Bom, talvez tenha me esquecido de diversas áreas da minha vida, mas por hora, acho que consegui montar um mundo ideal com calma e da forma como eu gostaria. E, sim, negligenciei totalmente os prazos, até porque eu realmente não quero dar um prazo exato pra cada coisa, mesmo sabendo que tudo deva ser planejado, e planejo, não quero limitar algumas coisas, como casar, ter filhos, ganhar torneios no padel e ter o tal apartamento, talvez isso tire um pouco da graça das coisas, acho que tenho uma noção de crescimento, mas quero que as coisas aconteçam naturalmente. Perdoa-me por dificultar.

Se de tudo, eu pudesse escolher só uma coisa, é viver realizado e feliz, perto de quem amamos.

Luiz Felipe

 

8 comentários em “As vezes me pego pensando num mundo ideal

  1. “Pior e não fazer nada” .
    Sentimos essa inquietude, essa sensação de que precisamos fazer algo, mas deixamos o tempo passar sem colocar em prática nossas vontades, perdemos a oportunidade, perdemos a emoção de compartilhar e contribuir. Aos poucos essa emoção que nos tira do equilíbrio vai se acomodando e não contribuímos com o mundo como gostaríamos ou como poderíamos contribuir. Por isso precisamos fazer algo, projetos, ideias, testes, textos etc… a inquietude nos permite evoluir, a inquietude nos tira da zona de conforto. Por que? Porque “Pior é não fazer nada.”

    Parabéns e grande abraço

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